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domingo, 16 de dezembro de 2012

O Calvinismo: Biografia - O Espírito que Dá Vida! -


 
“O espírito é o que vivifica.” João 6.63
Ao explicar a obra de Deus, você perceberá que começamos pelo primeiro ato gracioso e divino do Espírito — o sopro de vida espiritual na alma. Esta ação deve ser considerada como uma ação que precede todas as outras. A obra do Espírito como vivificador sempre deve preceder sua obra como santificador e consolador.

Se O buscamos em qualquer de suas funções, antes de O recebermos como o Autor da vida divina na alma, invertemos sua própria ordem e nos revestimos de desapontamento.  Iniciaremos a discussão deste assunto com a maior presteza, fundamentados na convicção de que as opiniões atuais acerca da doutrina da regeneração, defendidas e pregadas por muitos, não somente são muito diferentes dos antigos padrões de verdade doutrinária, mas também, o que é mais sério e profundamente lamentável, é que essas opiniões são do tipo que a Palavra de Deus repudia claramente e sobre as quais jaz tremenda escuridão.

A regeneração, conforme ensinada por muitos nos dias de hoje, difere muito da doutrina pregada nos dias dos apóstolos e dos reformadores. Nos escritos e nos discursos deles, a base era lançada ampla e profundamente sobre a depravação original e total do homem. Na atualidade, esta doutrina é muito modificada por várias pessoas, quando não é absolutamente negada. Nos dias da igreja primitiva, a completa incapacidade da criatura e a absoluta e indispensável necessidade da ação do Espírito Santo na regeneração da alma eram distinta e rigidamente estabelecidas.

Opiniões opostas a estas, subversivas da doutrina bíblica da regeneração e destruidoras dos melhores interesses da alma, são zelosa e amplamente divulgadas hoje. Sem dúvida, isto é motivo para profunda humilhação perante Deus. Que Ele restaure em seus ministros e em seu povo uma linguagem pura e, de forma amável, renove as verdades preciosas que humilham a alma e honram a Cristo, as verdades que uma vez foram a proteção e a glória de nossa nação.

Propomos... uma descrição simples e bíblica da doutrina da regeneração, a obra do Espírito Santo em produzi-la e alguns dos efeitos verificados na vida de um crente. Que a unção daquele que é Santo venha sobre o leitor e que a verdade limpe, santifique e conforte o coração.

A regeneração é uma obra autônoma e distinta de todas as outras ações do Espírito Divino. Ela deve ser cuidadosamente diferenciada da conversão,(1) da adoção,(2) da justificação(3) e da santificação;(4 ) e tem de ser entendida como a base e a fonte destas. Por exemplo, não pode haver conversão sem um fundamento de vida na alma, pois a conversão é o exercício de um poder espiritual inserido no homem. Não há senso de adoção à parte de uma natureza renovada, pois a adoção concede apenas o privilégio, e não a natureza, de ser filho. Não existe o reconfortante senso de aceitação no Amado, enquanto a mente não passa da morte para a vida; também não existe o menor progresso numa conformidade da vontade e das afeições à imagem de Deus, se falta na alma a raiz de santidade. A fé é uma graça purificadora, mas ela se encontra apenas no coração criado de novo em Cristo Jesus. É necessário existir uma renovação espiritual do homem, por completo, antes que a alma passe ao estado de adotada, justificada e santificada.

Leitor, medite seriamente sobre esta verdade solene.

Octavius Winslow - (1808-1878).




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Introdução

“Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5). Depois das trevas, do medo e da perseguição, chega o alívio com os primeiros raios de luz. A Bíblia, escondida na era das trevas, começar agora a aparecer. A bem sucedida participação na história da reforma de homens como Martinho Lutero e João Calvino, parece apagar um pouco da importante contribuição de John Wycliff e John Huss. Mas estes foram os precursores do movimento reformado. São chamados de pré-reformadores. Depois de uma época de descontentamento contra os abusos da Igreja Romana por toda a Europa, Deus, pela sua misericórdia, começa a levantar homens para fazer a Igreja de Cristo, a noiva, voltar a ser pura, santa e sem mancha. John Wycliff é chamado de a “Estrela d’alva da Reforma” por ser o primeiro instrumento usado por Deus a enfrentar o sistema papal antibíblica e as injustiças da Igreja Católica. Foi ele quem deu o “ponta-pé inicial” na emocionante história da volta da Igreja às Escrituras Sagradas. A presente lição pretende mostrar o valor do ensino Bíblico para a Igreja de Cristo e a importância de servos que se colocam como verdadeiras ferramentas na mãos do Senhor.

1. John Wycliff

A.        Um grande erudito

O que marcou a vida deste homem foi sua erudição e dedicação ao estudo da teologia. Nasceu em Hipswell, Yorkshire na Inglaterra, em 1329. Foi estudar em Oxford e logo se notabilizou por sua inteligência e erudição. Dominou a filosofia e os ensinos de Agostinho (ensinos que mais tarde influenciariam homens com Lutero e Calvino). Por ser um grande teólogo, tornou-se capelão do Rei da Inglaterra, Ricardo II. Nesta posição pôde fazer muito pela reforma de sua Igreja.

B.        A presença de Deus na História

Deus é o Senhor da História. Nela ele mostra o seu amor e cuidado pela Igreja. Estando numa posição de grande destaque, Wycliff pôde ter acesso ao Parlamento e traduzir a Vulgata (Bíblia em Latim) para o Inglês. Essa tradução foi de fundamental importância, tanto para a vida espiritual do povo, como também para o próprio inglês.

Como fez com a rainha Ester, Deus ainda hoje eleva homens e mulheres para posições de grande destaque, conforme seus soberanos propósitos, para o engrandecimento do seu nome e crescimento de sua Igreja. Vemos aqui a distinção entre o homem de Deus e o homem sem Deus – Wycliff usou sua autoridade para a glória de Deus, enquanto que o papa perdeu sua autoridade diante de Deus pois a usava para si próprio.

2. Ensinos Voltados para a Bíblia

Wycliff defendeu as seguintes idéias para obter a reforma da sua igreja:

A. Sobre a Bíblia

Wycliff ensinava que os concílios e a liderança da Igreja deveriam ser provados pelas Escrituras Sagradas. A palavra do papa e a tradição da igreja não poderiam ter uma autoridade de maior do que a da Bíblia. Para o reformador Inglês, a Bíblia é a única regra de fé e prática. Ela é suficiente pra suprir as necessidades da alma humana, sem que sejam necessárias as intervenções da Igreja e as mágicas de seus sacerdotes. Wycliff entendia também que as Sagradas Escrituras deveriam ser colocadas na mão do povo e não ficarem limitadas ao clero (liderança da Igreja).

B. Sobre o Papa e seus sacerdotes

Wycliff ensinava que os papas eram homens sujeitos ao erro e ao engano. Assim como dentro da Igreja de Cristo havia joio e o trigo, ser líder da igreja não era garantia de salvação, muito menos de perfeição. Ensinava que o ofício do papado era invenção do homem e não de Deus e que o papa seria o anticristo se não seguisse fielmente os ensinamentos de Cristo. Censurou monges quanto à preguiça e ignorância deles no que dizia respeito ao estudo das Escrituras.

C. Sobre a Ceia

Segundo a Igreja Católica Romana, no momento da ceia o pão e o vinho se transformam no corpo e no sangue de Cristo. Este dogma é chamado de transubstanciação. Wycliff declarou que esta doutrina era antibíblica, pois Cristo está presente nos elementos de forma espiritual e não física.

O historiador E.E.Cairns diz que “se a idéia de Wycliff fosse adotada, significaria que o sacerdote não mais reteria a salvação de alguém por ter em suas mãos o corpo e o sangue de Cristo na comunhão”

Com sua inteligência e posição dadas por Deus, a pregação de Wycliff começava a ser ouvida nos mais distantes cantões da Inglaterra, chegando a atravessar o mar em direção ao continente. Muitas pessoas devem ter recebido seus ensinos ou ganhado uma Bíblia na sua própria língua conhecendo assim a vontade de Deus para suas vidas.

3. Influência que Atravessou Fronteiras

A. Os lolardos

Para que o ensino bíblico fosse transmitido por toda Inglaterra, Wycliff fundou um grupo de pregadores leigos, os quais receberam o nome de Lolardos. O trabalho de expansão deu certo, mas o papa não gostou. Em um decreto², a Igreja condenou os Lobardos à pena de morte. Apesar disto, Deus não permitiu que nenhum desses pregadores fossem mortos.

B. Os boêmios

Estudantes da região da Boêmia, no centro da Europa, foram para Oxford e lá tiveram contato com os escritos de Wycliff e com alguns dos Lolardos. Ao regressarem para a sua terra, os boêmios levaram as novas informações e ensinos que acabaram influenciando aquele que seria um outro grande reformador, John Huss.

Ao tomar os primeiros contatos com os escritos de Wycliff, Huss escreve na margem de seus papéis: “Wycliff, Wycliff, você vai virar muitas cabeças”. Anos mais tarde, Huss teria sido acusado pela Igreja de Wicliffismo.

A história nos mostra que Deus vai espalhando sua semente. Assim como na Igreja Primitiva, crentes foram influenciando pessoas, autoridades e até reis, a ponto de ocupar todo o mundo. Temos a Bíblia em nossas mãos hoje porque servos e servas de Deus se dedicaram para isto. A mensagem continua viva. Será que a Igreja tem influenciado? O Evangelho de Cristo tem de fato sido pregado?

4. Condenado Depois de Morto

Próximo aos 55 anos de idade, Wycliff sofreu um derrame e morreu. Passados 30 anos, o Concílio de Constança, convocado pelo papa João XXIII, reuniu-se em 1415 e, sob a condenação de heresia, decidiu exumar o corpo de Wycliff e queimá-lo em praça pública.

Como pode-se observar, o poder arbitrário tomou conta da Igreja. Absurdos como a punição de um homem depois de morto e outros mais preencheram a sua história.

Mas tudo isso não foi suficiente para calar a voz do Evangelho. O clero não percebeu que estava lutando contra o próprio Deus.

Conclusão

Vimos que a escuridão da Idade Média começa a ser vencida pelos primeiros raios de luz de manhã. Deus prepara um homem, coloca-o numa posição de influência e autoridade e começa a trazer a Igreja de volta para o seu noivo.

John Wycliff envolve-se numa batalha de fé pela Verdade das Escrituras, coloca a Bíblia na mão do povo, ensina-a e tenta tirar este povo das mãos daqueles que exploravam suas vidas. Morre, mas deixa uma mensagem viva, um exemplo de luta pelo Evangelho.

Certo autor escreveu que a luta dos pré-reformadores terminou com insucesso. Entretanto, devemos crer que a perseguição e morte de homens com Wycliff e Huss não foram empreendimentos frustrados, e sim o plano soberano de Deus abrindo caminho para acontecimentos maiores. Anos mais tarde os reformadores levantaram a bandeira da “Sola Scriptura”, em favor da suficiência e autoridade exclusiva da Palavra de Deus sobre qualquer dogma ou direção humana. A semente do ensino de Wycliff e Huss estava lá e, até hoje, dá os seus frutos.

A presente lição serve como um alerta para a Igreja de hoje. Os crentes devem viver uma vida santa e, ao mesmo tempo, devem estar prontos para reformar a igreja sempre que ela se afastar do ensino bíblico. Agindo assim seremos encontrados por Deus fiéis.
Quão disposto você está a sacrificar sua vida por amor ao Evangelho?



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Biografia de C. H. Spurgeon




O pastorado de Spurgeon em Waterbeach continuou até ele chegar aos dezenove anos de idade. Durante esse período, muito embora tenha manifestado rara maturidade, também teve que aprender muita coisa sobre como conduzir o minis­tério dia a dia.
Essa experiência ficou evidente, por exemplo, em seu preparo do sermão. Ele procurava ser guiado por Deus a alguma passagem das Escrituras, esforçando-se na oração e no estudo para entendê-la completamente. Depois de encher sua alma com a mensagem, ele ordenava as suas verdades, colo­cando-as em forma organizada e deixando-a pronta para a transmissão. Ele via os pontos principais e os secundários que o texto escolhido continha, escrevia-os em duas ou três páginas de anotações, e as levava consigo ao púlpito.
Ainda existem uns duzentos esboços de sermões redigidos em Waterbeach, e eles revelam a natureza da sua pregação inicial. Ele não tocava meramente na superfície das verdades do evangelho, como faziam muitos homens em seus primeiros anos de ministério. Ao contrário, o grande sistema de doutrina que pesava em sua mente desde a sua infância e que, em grande parte, havia constituído o corpo do seu estudo, estava vir­tualmente subjacente a tudo o que ele dizia, e provia a força do seu ministério.
Durante aqueles dias cresceu também a experiência de Spurgeon em seu trato com as pessoas.
Quando o flagelo da vila soltou sua língua sobre ele um dia, ele replicou como se mal a tivesse ouvido e como se tivesse entendido incorretamente as palavras dela. Depois de dois ou três arrancões, ela saiu dizendo: "O homem é surdo como uma porta!"
Certo ministro que o convidou para pregar, vendo que parecia um menino, tratou-o com desprezo. Mas Spurgeon, em seu sermão, replicou citando um versículo de Provérbios que censurava a conduta indelicada do homem, e então pas­sou a pregar tão poderosamente que, terminado o culto, o homem bateu amigavelmente em suas costas e disse: "Você é o cão mais atrevido que já latiu num púlpito!" A ocasião marcou o começo de uma calorosa amizade entre eles.
Havia uma mulher que, embora sendo uma verdadeira santa, era insegura em sua fé cristã. Ela disse a Spurgeon que ela era tão hipócrita que não devia freqüentar a igreja, e que não tinha nenhuma esperança cristã. Conhecendo o zelo dessa mulher e desejando ajudá-la, ele se ofereceu para comprar a sua esperança por cinco libras, ao que ela exclamou: "Oh, eu não venderia a minha esperança em Cristo nem por mil mundos!"
Durante aqueles dias da sua adolescência, Spurgeon revelou muito do caráter que mais tarde brilharia nele tão proeminentemente. Ele era reconhecidamente audaz e destemido, e quem só visse essa característica poderia muito bem supor que ele era insolente. Mas ele era também muito real - não tinha o menor elemento de fingimento, e em seu ministério público, e também em suas relações pastorais, sua inflexível seriedade era manifesta a todos. Seus extraordiná­rios poderes na pregação também eram evidentes - uma voz de tremendo poderio, aliada a entonações suaves e comoventes, e tudo sob constante controle.
Spurgeon exercitava uma autodisciplina inabalável. Para ele, a vida cristã tinha que ser governada totalmente, e ele punha esse ideal em rigorosa prática. Levantando-se cedo, ele enchia o dia de trabalho, estudando, visitando, orando e pregando. Não dava atenção aos esportes e não tinha amizade com membros do sexo oposto, mas todo o seu tempo e todo o seu pensamento eram dedicados ao Senhor.
Em muitos sentidos, embora ainda tão jovem, ele estava muito à frente de muitos ministros mais idosos, quanto a conhecer e realizar a obra desse ofício. Como o seu irmão James o expressou, "ele era um maravilhoso exemplo de pregador que salta etapas, plenamente desenvolvido no púlpito".
Contudo, o pai de Charles não entendeu o seu extra­ordinário progresso na obra do ministério.
John Spurgeon, querendo o melhor para o seu filho, fez planos para colocá-lo no Stepney College, a escola batista de capacitação ministerial. (Fazia muito tempo que as universi­dades tinham sido fechadas para os não membros da Igreja da Inglaterra.) Charles não se alegrou com a idéia de seu pai, mas se dispôs a levá-la adiante, se necessário, e concordou em encontrar-se com o diretor da escola, o Dr. Joseph Angus. A entrevista deveria ocorrer numa residência, em Cambridge -na casa de Daniel McMillan, o proeminente editor. Charles chegou na hora marcada, uma criada lhe mostrou uma sala de estar, e ali ele esperou pelo Dr. Angus. Mas, no fim de duas horas, ele chamou a criada e viu que ela havia levado o cavalheiro para uma sala que ficava no outro lado da casa. Ele também tinha ficado esperando o tempo todo, mas, como tinha que pegar um trem, havia saído da casa momentos antes.
Mais tarde, nesse dia, Spurgeon estava caminhando pelos campos, a caminho de um culto numa aldeia. Quando pensava no estranho acontecimento da tarde, veio-lhe à mente uma esmagadora impressão, quase como se ouvisse uma voz que lhe disse muito definidamente: "Procuras grandes coisas para ti? Não as procures!" Imediatamente alegrou-se com esse conselho e, naquele momento e ali, determinou-se a não entrar na escola. Ele sabia que Deus já o havia feito ministro, e se propôs continuar o modo de vida que tivera nos dois anos passados. A decisão não lhe dava lugar para ambição terrena. Isso marcou outro passo mais na mortificação do ego e no crescimento da sua devoção de alma ao Senhor.
Em anos posteriores Spurgeon referiu-se ao seu desen­contro com o Dr. Angus como "a mão do Senhor por trás do erro cometido pela criada". A escola dava a seus alunos valioso conhecimento da Bíblia e de assuntos teológicos gerais. Provia instrução, em classe, sobre como preparar sermões e pregá-los, e se empenhava em conduzir os jovens a um modo de viver bem ordenado e disciplinado. Mas dificilmente Spurgeon tinha necessidade dessas coisas.
Ele já estava muito além dos alunos e, indubitavelmente, além de muitos membros do corpo docente, em conhecimento teológico e na capacidade de pregar, e já possuía larga expe­riência pastoral. Além disso, embora estritamente sujeito a tudo o que era justo e verdadeiro, nalguns sentidos ele era um espírito livre, sem medo de homem e inteiramente solto dos grilhões das convenções humanas. Ele tinha recebido no nascimento um incomum gênio de espírito, e isso sofreria, se ele entrasse num ambiente onde se fariam esforços para encaixá-lo no molde dos indivíduos comuns. Ele tinha sido preparado para um ministério ordenado por Deus, e não precisava da modelagem feita por mãos humanas.
Depois de Spurgeon estar dois anos em Waterbeach, deu-se um acontecimento que, no plano de Deus, pôs fim a seu ministério ali.
Em novembro de 1853 ele falou numa reunião da União das Escolas Dominicais de Cambridge. Depois dele falaram outros dois ministros que se referiram depreciativamente à sua juventude. Um foi, de fato, ofensivo, e declarou: "É uma pena que meninos não adotem a prática escriturística de permane­cer em Jericó até suas barbas crescerem, antes de tentarem instruir os mais velhos".
Quando o orador concluiu, Spurgeon obteve permissão do Presidente e fez uma réplica. "Lembrei aos ouvintes", diz ele, "que os que foram obrigados a permanecer em Jerico não eram meninos, mas homens já crescidos, cujas barbas tinham sido rapadas por seus inimigos, como a maior indignidade que puderam fazê-los sofrer, e que, por isso, ficaram com vergonha de voltar para casa enquanto suas barbas não crescessem novamente. Acrescentei que o verdadeiro paralelo ao caso deles poderia ser encontrado num ministro que, tendo caído em pecado público e notório, tivesse posto em desgraça a sua vocação e necessitasse sofrer exoneração - até que houvesse alguma restauração do seu caráter".10
Spurgeon não sabia nada sobre o homem que o atacara, mas sem saber descreveu a sua condição - o pobre homem tinha caído em pecado e, como o povo sabia da sua conduta, pode-se imaginar o seu embaraço.
Contudo, essa reunião, embora destituída de qualquer importância especial, foi comprovadamente de central significação na vida de Spurgeon. Ela abriu caminho para que fosse colocada diante dele a suprema oportunidade da sua carreira - a abertura de "uma porta grande e eficaz" - o convite para o pastorado da Igreja Batista da Rua do Novo Parque (New Park Street Baptist Church), em Londres.

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O fato de que foi sua ênfase em restabelecer a velha doutrina que provocou intensa oposição a seu ministério, Spurgeon não tinha a menor dúvida. "Somos depreciados como hipers;( Hiper-Calvinista) somos considerados a escória da criação; dificilmente um ministro nos dá atenção ou fala favoravelmente de nós, porque sustentamos fortes idéias sobre a veneravel soberania de Deus, Seus soberanos atos eletivos e Seu amor especial para com o Seu povo".

Pregando à sua igreja local em 1860, ele disse: "Não há uma outra igreja de Deus na Inglaterra, que durante os últimos cinqüenta anos, teve que passar por maiores provações do que as que nós temos tido... raro é o dia que rola sobre a minha cabeça em que a mais vil ofensa, a mais terrível difamação, não seja proferida contra mim, tanto privadamente como pela imprensa pública; todo engenho é empregado para pôr abaixo o ministro de Deus - todas as mentiras que o homem pode inventar são lançadas contra mim.... Eles não impediram a nossa utilidade como igreja; não diminuíram o número dos nossos congregados; aquilo que se esperava fosse mero espasmo - um entusiasmo que se esperava que duraria apenas uma hora - Deus tem aumentado diariamente; não por minha causa, e sim por causa do evangelho que eu prego; não porque havia alguma coisa em mim, mas porque me apresentei como um expositor do calvinismo claro, honrado e sincero, e porque procuro falar a Palavra de forma simples".

Spurgeon não se surpreendia com a inimizade que manifestada para com a sua proclamação das doutrinas da graça: "Irmãos, em todos os nossos corações há esta inimizade natural contra Deus e contra a soberania da Sua graça". "Sei de homens que mordem seus lábios e rangem os dentes de raiva quando prego a soberania de Deus.... Os visionários doutrinários atuais admitem a existência de um Deus, porém Ele não deve ser Rei: quer dizer, eles preferem um deus que não é deus, e dão preferência ao servo, e não Aquele que exerce governo sobre os homens." O fato de que a conversão e a salvação são obra de Deus é uma verdade humilhante. É por seu caráter humilhante que os homens não gostam dela. Ouvir dizer-me que, se hei de ser salvo é preciso que Deus me salve, e que estou em Suas mãos, como o barro está nas para com o Seu povo".

Pregando à sua igreja local em 1860, ele disse: "Não há uma outra igreja de Deus na Inglaterra, que durante os últimos cinqüenta anos, teve que passar por maiores provações do que as que nós temos tido... raro é o dia que rola sobre a minha cabeça em que a mais vil ofensa, a mais terrível difamação, não seja proferida contra mim, tanto privadamente como pela imprensa pública; todo engenho é empregado para pôr abaixo o ministro de Deus - todas as mentiras que o homem pode inventar são lançadas contra mim.... Eles não impediram a nossa utilidade como igreja; não diminuíram o número dos nossos congregados; aquilo que se esperava fosse mero espasmo - um entusiasmo que se esperava que duraria apenas uma hora - Deus tem aumentado diariamente; não por minha causa, e sim por causa do evangelho que eu prego; não porque havia alguma coisa em mim, mas porque me apresentei como um expositor do calvinismo claro, honrado e sincero, e porque procuro falar a Palavra de forma simples".

Spurgeon não se surpreendia com a inimizade que manifestada para com a sua proclamação das doutrinas da graça: "Irmãos, em todos os nossos corações há esta inimizade natural contra Deus e contra a soberania da Sua graça". "Sei de homens que mordem seus lábios e rangem os dentes de raiva quando prego a soberania de Deus.... Os visionários doutrinários atuais admitem a existência de um Deus, porém Ele não deve ser Rei: quer dizer, eles preferem um deus que não é deus, e dão preferência ao servo, e não Aquele que exerce governo sobre os homens." O fato de que a conversão e a salvação são obra de Deus é uma verdade humilhante. É por seu caráter humilhante que os homens não gostam dela. Ouvir dizer-me que, se hei de ser salvo é preciso que Deus me salve, e que estou em Suas mãos, como o barro está nas que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece". O mundo também tem uma religião universal, porém, vejam como Cristo põe isso abaixo: "Eu rogo por eles: não rogo pelo mundo". Deus nos ordenou dentre os homens: "Eleitos de acordo com o pré-conhecimento de Deus Pai, pela obra santificadora do Espírito e pela fé na verdade".

Obviamente, Spurgeon considerava a diferença entre o calvinismo e o arminianismo como algo concreto e definível, e não mera questão de "equilíbrio" ou de proporção da verdade. Com o termo arminianismo ele não queria dar uma "ênfase" à responsabilidade humana, pois ele pregava a responsabilidade do homem tão fortemente como qualquer que já viveu. Menos ainda ele achava que uma coerente posição escriturística abranja as duas posições; na verdade, ele achava difícil ser paciente quando refutava essa confusão. "Não pensem", diz ele, "que vocês precisam ter erros em sua doutrina para se tornarem úteis. Temos alguns que pregam calvinismo em toda a primeira parte do sermão, e o concluem com arminianismo, porque acham que isso os fará úteis. Um absurdo útil! É tudo o que isso é. Se um homem não pode ser útil com a verdade, não pode ser útil com um erro. O que há na doutrina pura é suficiente, sem a introdução de heresias, para pregar aos pecadores. O fato é que existem questões doutrinárias definidas envolvidas na controvérsia entre os dois sistemas, e quando defrontado por uma dessas questões o homem deve sustentar ou uma ou outra.

Algumas dessas questões podem ser expostas como segue: Haveria um plano de redenção pelo qual Deus Se determinou a salvar, mediante Cristo, algumas pessoas que Ele escolheu?

Acaso esse plano prove a concessão gratuita de todas as coisas necessárias para o seu cumprimento, ou seria o seu cumprimento condicionado pela aceitação do homem?

Porventura Cristo, em Sua morte, assegura infalivelmente a redenção de todos aqueles que Ele representou como substituto?

Ao regenerar pecadores, será que o Espírito Santo efetua plenamente o propósito do Pai e aplica infalivelmente a obra redentora de Cristo?

Seria possível resistir à obra regeneradora do Espírito?

Acaso somos regenerados, ou nascemos de novo, por causa da nossa fé e arrependimento, ou seria a fé efeito e resultado da regeneração?

Provavelmente há alguns que objetariam até mesmo à formulação de perguntas como essas. Os breves artigos doutrinários do movimento evangélico moderno - diferentemente das confissões reformadas dos séculos 16 e 17 - nada dizem sobre essas questões, presumivelmente porque isso não é mais considerado necessário. A atitude predominante tem sido a de desdenhar as proposições definidas da verdade e contender por obscuridade e indefinição, como se isso fosse mais espiritual e bíblico, e contribuísse mais para a manuten¬ção da unidade. Portanto, não é surpreendente que em tal atmosfera de baixa visibilidade espiritual tenha se tornado corrente a idéia de que um homem pode ser arminiano e calvinista.

 Iain Murray
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Seu irmão James o conheceu, talvez, melhor do que ninguém:

As dimensões da leitura de Charles quando tinha 15 anos eram simplesmente espantosas para alguém tão jovem, e ele era especialmente versado nas obras dos seus escritores preferidos – os teólogos Puritanos.

Charles nunca fez outra coisa, senão estudar. Eu lidava com coelhos, frangos, porcos e com um cavalo; ele vivia com os livros. Enquanto eu ficava ocupado aqui e ali, mexendo com toda e qualquer coisa que um rapaz conseguia tocar, ele vivia com os livros, e não conseguia parar de estudar.

Mas, apesar de ele não querer nada com outras coisas, era capaz de dizer tudo sobre elas, porque costumava ler a respeito de tudo, com uma memória tão tenaz como um torninho e tão copiosa como um celeiro abarrotado.

Uma experiência que seja temperada com um profundo e amargo sentimento de pecado é de grande valor para aquele que a tem. É terrível ao beber, mas é sumamente agradável nas entranhas, e em toda a vida daí por diante.

Possivelmente, muito da débil piedade da presente hora provém da facilidade com que os homens alcançam paz e alegria nestes dias evangelísticos. Não queremos julgar os convertidos modernos, mas certamente preferimos aquela forma de exercício espiritual que conduz a alma pelo caminho da Cruz do Pranto, e que faz com que ela enxergue a sua nódoa trevosa antes de garantir-lhe que ela "está alva como a neve".

É grande demais o número dos que pensam levianamente sobre o pecado e, por conseguinte, pensam levianamente sobre o Salvador. O homem que se colocou diante do seu Deus, convicto dos seus pecados e sentindo-se condenado, com a corda no pescoço, esse é o homem que está pronto a chorar de alegria quando perdoado, a odiar o mal que lhe foi perdoado e a viver para a honra do Redentor, por cujo sangue ele foi purificado.
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